Por mais que me esforce, não consigo entender o que está acontecendo nesse país:
1. Se eu não cumprir a lei, pago multas, posso até ir para a cadeia, por ser uma “fora da lei”; o governo não cumpre a lei,mas nada acontece;
2. existe um acórdão que determina, inclusive, que seja denunciado, ao Ministério Público, o administrador que não cumprir a Lei do Piso, por improbidade administrativa;
3. o Supremo julgou constitucional a Lei e mandou que o pagamento acontecesse imediatamente;
4. a Lei é clara ao definir o valor do piso para os vencimentos básicos do prof com a formação para o magistério de nível médio e não de remuneração ou salário.
5. os professores precisam passar por todo um desgaste emocional, que realmente é um massacre, para terem o que lhes é de direito, a Educação fica toda prejudicada, pois os estudantes estão sem aulas e não me digam que depois recuperam e fica tudo bem, porque não fica e as mães que possuem crianças nas escolas de Educação Infantil não podem trabalhar, pois precisam cuidar das crianças, correndo o risco de perderem o emprego que possuem e sabe Deus com que sacrifício o conseguiram.
6. a Administração Municipal não faz o “tema de casa”, pois a Lei é de 2008, para ser cumprida de forma integral até 2010, dando tempo, portanto, para que as prefeituras adequassem seus orçamentos, oferecendo a possibilidade, aos municípios,que não possuem condições orçamentárias,de receberem ajuda do governo federal para tanto.
Então ficam as perguntas:
- Por que a Prefeitura de Pelotas não fez o tema de casa, se teve 4 anos para adequar seu orçamento, ou recorrer ao governo federal?
- Como tem coragem de cobrar do professor essa conta se é para ele que deve?
- A lei diz que, ao município que não tiver condições de pagar o piso, o governo federal ajudará, inclusive, de forma a assessorá-lo no planejamento e aperfeiçoamento da aplicação de seus recursos. Será que a dificuldade está em ter que abrir a “caixa preta” para o governo federal conferir como a prefeitura gasta seus recursos? Se não, qual o motivo de não pedir ajuda?
- É do conhecimento público o problema, por que o Ministério Público ainda não determinou que Administração Municipal está incorrendo numa improbidade administrativa? Se está esperando que o Sindicato o acione, por que o SIMP ainda não o fez? Se o fez por que não temos respostas?
- O Ministério Público do Trabalho sugere que os profs voltem que não terão o corte do ponto e fica garantido que a vergonhosa proposta de novo plano de carreira virá só na próxima gestão. Se o fulcro da questão é o NÃO PAGAMENTO DO PISO SALARIAL, por que o Ministério Público se quer faz referência a isso?
- Teve um certo secretário municipal que certa vez disse que eu, sendo mulher e profa., era muito esperta. Será que acreditam que o professor é desprovido de inteligência e a tal ponto que cairá nesse engodo?
Está tudo muito estranho. Eu só queria entender essa falta de respeito tão grande por quem um dia possibilitou que chegassem aos cargos que hoje ocupam. Por enquanto, só me resta pensar que tem alguma água passando por baixo da ponte, que desconhecemos...
Para concluir quero lembrar que, diferentemente de outras greves, o professor não está lutando por aumento de salário, ainda que resulte nisso, mas a questão é mais séria e profunda: Será que não percebem que o prof. , por ser um educador, não pode ser conivente com o não cumprimento da lei, caso contrário, que moral terá para ensinar valores e trabalhar na formação do caráter de seus alunos. Essa não é só uma questão salarial, mas fundamentalmente educacional e moral.
Fico surpresa que o Ministério Público do Trabalho não tenha focado no que realmente está gerando o problema. A questão é MORAL e não trabalhista. Por isso, o professor que de fato é educador não pode retornar enquanto a Lei não é cumprida. Se o fizer, nunca mais poderá exigir de nenhum aluno que cumpra seus deveres.
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